sexta-feira, fevereiro 24, 2006

Aquela ali...

É! No alto daquela colina... Foi ali que eu vi. Não sei bem como aconteceu, mais eu vi... E, por isso, eu acredito.

Uma flor murchou...

Mais um dia passado...
mais um cálice floral se tomba.
Nuvens vagueiam sob um céu azul
um pouco mais azul profundo
do que o royal que se apresentava
alguns meses atrás
em posição solar similar.
O vento úmido e refrescante alivia
o calor que fez em noites passadas
fazendo minha janela se escancarar.
O verde se torna levemente menos verde,
e o azul da água mais gelado.
As flores restantes,
que se balançam em movimentos randômicos
às passagens de ventos confusos sem orientação,
dançam resistentemente
no mais singelo disperdício
de pétalas envelhecidas.
As folhas farfalhantes se espalham ao chão,
com o crepitante estalar dos animais
que passam apressadamente procurando proteção
para a mudança de temperatura do entardecer
escuro do equinócio ensangüentado.
Ouço o toque de recolher de pássaros preocupados
e o farejar de meu cão em meu calcanhar pedindo atenção...
e tiro do chão um botão
que o vento mais forte trouxe
como convidado para dentro de casa.
Suas cores desbotadas se despedaçam em minha mão
e solto-as do outro lado da janela e fecho.

Dias 20...

Absolutamente,
sou livre das chagas que me fizeram chorar
em uma aurora que por sorte não volta nunca mais.
E não volta. E não volta.
E por tamanho peso que foi carregado em meus pulsos cortados,
sangrei tanto em busca da realização de seu beijo que não esqueci,
mas que, diante de minha imaturidade aumentada pelo infortúnio da confusão mental,
não mais receberei.
E por isso que a cada dia 20 fiz meu voto eterno.
Sou feliz, livre das correntes e das cicatrizes
que estes elos de ferro me causaram.
Pelo menos fui único... só espero não me tornar mais um.
Tudo o que tenho a dizer é que me perdoe por não ser especial,
mas tão somente raro sem valor...

sexta-feira, fevereiro 10, 2006

Hoje está nublado

O céu encobre as estrelas,
que lá no alto pulsam mensagens
ainda irreconhecíveis para mim.
É que agora está a chover.
Vejo a água respingar
em minha janela aberta
para entrar o vento úmido
e refrescante
de uma noite de muito calor.
Sei que amanhã todo o longo jardim
estará feliz e com suas cores intensificadas
pela dissociação em cores da luz branca
pelo prisma formado pelas gotículas
que não evaporaram com o Sol aberto
que fará após as nuvens se dissiparem.
Sei que isso é necessário...
e minha vontade é também
fazer parte dessa festa
que rege uma sinfonia
de batráquios roncosos
lá perto do regato.
Molhar e deixar molhar.
Nadar e me elamear
e vice-versa.
Ser parte componete essencial
desse estado de felicidade embriagante.
Afinal, esse pomar é bem cuidado
com as sementes que planto
e com meu empenho de mantê-lo
sempre vistoso e frutífero.
Esses são meus méritos
para colher tão boas frutas doces.

quinta-feira, fevereiro 09, 2006

Verão no jardim

Sinto o calor do mormaço subindo a colina,
trazendo a sensação de meu rosto ruborizar
como já acontecera com ar expirado
de tantos amores em que me enraizei.
O Sol faz brilhar os suores da grama
que se estendem até próximo ao regato
que sonoriza tranqüilamente
os gorjeios dos pássaros
das copas folhosas em busca de sombra.
Animais se entreolham
numa paz de convívio
pela água que refresca
os mergulhos mais do que obrigatórios.
Pedras ensoladas servem como área
de repouso para os homeotermos,
fazendo o ambiente todo parecer
ao abandono do perigo.
As folhas estão espalmadas...
A brisa aquecida faz dançar
as árvores em momentos de graça,
já que algumas folhas caem...
É o prenúncio da transição de temperaturas,
em que o saudosismo me faz lembrar
das bem venturadas paixões dentro de minha cabana,
ao pé da lareira trepidantemente fogosa.
... que bom que as frutas estão suculentas.

01 de Julho de 2005

Digo, então, em aberto, que você é incrivelmente maravilhosa. Foi a pessoa mais fantástica que já conheci. E, caso essas palavras sejam apagadas, sei que seus sentimentos são diferentes daquilo que já me disse. Se dentre tantos acontecimentos, o mais incrível é que toda a distância que nos promove à situação de virtuais, sendo que a vida que se passou por dentre nossos olhos foi toda real.
Assim é o que eu espero para o futuro. E que o passado seja selecionado, só ficando os momentos inesquecivelmente mágicos. Por entre tantas virtudes, fica o seu sorriso tímido. E por seus charmes, fica aqui sua indiferença para os meus pedidos... Mas a surpreendente comoção que nos abate, em busca do destino, onde o limite é além da eternidade, faz com que eu venha e abra estas minhas palavras a você, tudo para ser aquele que se destaca entre as vidas que passaram por você...
Só espero que eu não seja uma destas que passaram... Desejo ficar.

17 de Agosto de 2005

Tantas coisas acontecem em minha vida...
tantas aventuras e tão poucos tesouros.
Muitos mapas, muitas galeras,
muitos tubarões, mas nenhum castelo.
E sem o castelo, não tenho princesa.
E se não tenho princesa, não tenho
uma história com 'happy ending',
no caso 'they lived happy ever after'...
Mas estou buscando dentre tantos incontáveis mapas
algum que me guie em direção às virtudes
de uma vida cheia de experiências,
sem me deixar amargo nem esquecido
de tantas belezas presenciei.
Em cada empreitada, julgo de alguma forma
encontrar a felicidade tão prometida,
mas, quando percebo, estou envolvido
em sentimento de mágoa por ter sido abandonado,
de tal forma a eu sempre ser o culpado
por ser o mais nobre possível em tudo
(em sentimento, em sinceridade, em promessas
etc.),
sendo que eu realmente não tenho pedigree...
Sou um 'vira-lata', que tem pompa de príncipe
e se faz de mago, sendo que,
no final das contas, sou só o bobo da corte!

terça-feira, fevereiro 07, 2006

Voltando ao meu jardim...

Certamente,
crescem ervas daninhas
por esse campo
que se distende
por dentre árvores
com frutos, com flores,
com galhos e com pássaros.
Há mais tipos, mas não há
necessidade de letrar
cada intereção
das folhas verdes,
amarelas, vermelhas,
multicoloridads,
com cada forma
que se desenha
em claros e escuros
da luz solar
por dentre as copas cheias,
meio cheias,
meio vazias
e ralas.
Mas essas ervas se comportam
como parte do visual
e muitas vezes passam por desapercebidas...
Só quando ela está além do suportável
é que são tomadas providências,
muitas vezes, asperosas,
que chegam a ferir as mãos
de quem tem de capinar
limpar
arrumar
podar
reorganizar
refazer
recomeçar.
E com perseverança,
arrancando-se tudo pela raiz,
literalmente ou não,
tudo fica verdejantemente
colorido e lindo.
Mas isso não é
e um dia para o outro.
Leva tempo e sempre necessita
de cuidados para evitar
que novas dores
sejam requisitadas...

Palavras machucam

Diga, reflita, cuspa e ingira.
Digira e perceba que motivos
são exemplos da realidade indigesta.
Agora, durma, sonhe, levante e esqueça.
Relembre e faça a diferença
em todos os aspectos que quero de você.
Não seja omissa
quanto ao meu papel de companheiro,
mas entenda
que tenho meus limites de compreensão.
Cada momento que vivemos na paixão
é verdadeiro e eterna inspiração
para minhas próximas escrituras de reflexão.
Às vezes,
confesso não ter decência necessária
para proferir um termo em altura
à dor que sente
(por isso sofre, remói, dói, destrói
e arremata para uma conclusão
não sempre coerente com o que é
a realidade do mundo externo ao seu).
Peço perdão por minha vaga compreensão
à falta de paciência por sua parte,
ou por talvez ter exagerado dela
nas frases utilizadas aos outros.
E, se ainda assim não for capaz de
reduzir minha sentença,
por favor, que não fique sem você,
pois a dor que eu sentiria
será maior do que a sua e a minha
(por ter dado devaneios
demasiadamente
desnecessários
aos depósitos de poeira).
Sei que as palavras machucam
e que as escritas são muito mais torturantes.
Mas em minha série de letras seguidamente unidas,
o desejo conjunto era escrever,
não relatar o presente
(que é o que faço realmente nesse exerto),
escrever um passado esquecido,
com sentimentos que tenho
por você na atualidade
(se me permitir, para a eternidade).
Só ver o que está em Marcella....

Estudo

Procuro sem saber o que vou encontrar
além dos termos sábidos traduzidos
para uma linguagem que eu entenda.
Mas o que procuro? Saber mais.
Para quê? Ser melhor.
Melhor do que quem? Não sei.
Talvez por isso que eu não saiba
o que vou encontrar.
Tenho dúvidas se conseguirei
realmente entender a linguagem
que foi transcrita para minha
compreensão.
Estou confuso
com preguiça
com sono
contaminado por falta de coragem de
continuar buscando respostas
conturbadas para as dúvidas que ainda não tive.
Concordo que em breve
serão simples momentos de desespero
por não ter orientação
em um campo totalmente hostil.
Mas nem por isso me dá a tranqüilidade
para seguir e procurar sem saber
o que realmente estou a procurar.

segunda-feira, fevereiro 06, 2006

Que o passado se cale

Cada passado que tive,
deve ficar tão comumente
no imaginário daqueles
que me ouvem narrar
as histórias fantásticas
cheias de poesia que vivi
numa época sinuosamente envolvente.
Se não acreditar que meu coração
é de tal pessoa,
pelas palavras que citei,
tudo bem. Mas,
se fizer questão de envolver
as dores dos tempos idos
em poemas que são simples
relatos de um tempo vivido
que não renasce mais,
ficarei desapontado.
Muito dessa arte fica
arrumada em minha mente
esperando o momento para se esvair
e não será necessariamente
o meu pensamento em vigor.
Acredito que meus sonhos
tampouco traduzem o que realmente desejo,
já que são inconoscíveis pensamentos
do descanso de um surrealismo
travado nos longínquos patamares do sub-ego.
Se as pessoas levam ao pé da letra meus escritos,
esquecem que são poucos os textos que são específicos
para uma situação ou para uma pessoa ou para uma época.
Minha arte é escrever,
trabalhar com as palavras,
brincar com o imaginário das pessoas.
Não sou louco de jogar minha felicidade no "anônimo",
já que os relatos de minha escrita
são tão tipicamente meus
(não há como se enganar
quanto às entrelinhas
e os jogos de significado e significativo).
Eu amo muitas pessoas sim e jamais irei negar isso,
claro que cada um numa intensidade e peculiaridade única,
com redução de intensidade com a distância
e com a frieza que cada instante proporciona.
E referente a isso, jamais deixarei minha paixão se extinguir,
enquanto você me permitir.
Se isso não é nada para você,
não sei o que mais poderia ser.
Se eu escrevi lá,
ou em qualquer lugar que seja,
era porque na época em que se desenvolveu
lá ele deveria ser depositado.
E não era para ela.
Não mesmo.
Você talvez se esqueça
que muitas vezes minhas considerações são histórias,
e justamente o que tenho feito é criar histórias
com meu passado,
para compor novos enredos
e novos personagens
com novas aventuras
num mundo totalmente fictício
que é o mundo inerte das palavras escritas.

sexta-feira, fevereiro 03, 2006

Continuação do poema anterior

Belo poema? Belo Jardim?
Não tão belo quanto poderia ser
se o amor que plantei retornasse
às raízes que a tanto tempo
esperam pela lágrima de felicidade.
Tempo é o que me resta,
já que jurei o amor eterno
nas palavras perdidas ao vento.
Agora, só espero...

quarta-feira, fevereiro 01, 2006

Floral

Momentos trazidos em uma bucólica música
silabiaram a grandeza do sítio
onde seremos levados,
que depois dos eventos
que se passaram no estágio
que se explode em luzes coloridas;
o som se torna silenciosamente musicado,
em compassos que variam de acordo
com o peito onde pulsam.
Pelo abraço, suspiro por palavras
que tentam trazê-la ao meu convívio,
mas é muito mais marcante
o milagre de termos em comum
nossos olhos cruzando o espaço
em busca do olhar do outro.
Seu toque calmamente nervoso
impera no carinho que recebo
por seu brilho único...
Creio que meu fôlego está incapacitando
de dizer nada além do "nossa..."
que virá a ser substituido por seu nome,
que não fora esquecido,
ainda mais depois da emoção sublimante
a estágio superior em sentimento.
Chegamos aonde a música iria nos levar
... ao Paraíso.
Agora, respiro o ar que o vento me traz
e experimento do novo fruto que renasce
de dentro do meu pomar.

Talvez um poema esquecido dentro de minha mente...

Antes de tantas espécies de palavras,
me debruço na janela
para procurá-las soltas ao vento.
Um dia eu ousei deixá-las
para a prosperidade
soltando meus rugidos de amores
para o vento semeá-las
ao longo da costa que se surgia,
já que pela primeira vez vi
ao alvorecer do horizonte
que você me proporcionou.
Tais magias voaram longe
e nunca mais tive
notícias dessas palavras felizes.
E sempre abro minha janela
para que alguma delas
volte inteira para me acalentar
os sonhos que foram consumidos
pela distância que separou nossos destinos,
ao mesmo tempo tão pertos um do outro.
E por isso duas palavras sei bem onde estão:
uma está comigo
e outra com você.
A principal, quem sabe,
se perdeu na ventania
que surgiu das saudades ardentes
abafadas por uma crise aguda de tristeza
e que no meio da tormenta
se esqueceu do caminho de volta...?
Sei que os frutos semeados
sempre foram colhidos
e poderão eternamente ser apreciados em meu quintal...
por você exclusivamente.

...e que já passara pela eutanásia por amar tanto que a razão se dá sem razão perto do sentimento que nem a eternidade pode apagar...