segunda-feira, outubro 16, 2006

Confortável frio cortante

Carrego estes feixes
não só para me exercitar os braços
que já estão dormentes
pela fraqueza constirpadora
incólume da semiibernação
a qual estou inercialmente inserido
(culpa de dias com céu tão azul profundo
e tão poucas aventuras).
Carrego-os para que meus passos
se sintam como nos dias de sutis temperaturas,
cheios de olhares e gracejos,
complementados de faces umedecidas
de longos e profundos momentos
de contemplação da máquina humana.
Carrego-os também para que meu corpo
se esquente agora, nesta caminhada,
trazendo o vigor de minha juventude
que jamais partira, mas que certamente
me deixou solitariamente mais experiente.
Sei que meus passos são mais rápidos
do que aqueles que eram repetidos diariamente,
já que não tenho o mesmo sabor
em presenciar o verdejante
campo que cega os aversos
a tal tipo de freqüência eletromagnética.
São mais rápidos do que os acompanhados,
que faziam comentários
sobre cada esticada por cima
do filete raso de água que ainda
não se petrificou.
O Sol está lá, me acompanhando.
Talvez não. Só que ele não me esquenta
mais como será a ferocidade consumista
das brasas trepidantes
destes feixes.