segunda-feira, fevereiro 06, 2006

Que o passado se cale

Cada passado que tive,
deve ficar tão comumente
no imaginário daqueles
que me ouvem narrar
as histórias fantásticas
cheias de poesia que vivi
numa época sinuosamente envolvente.
Se não acreditar que meu coração
é de tal pessoa,
pelas palavras que citei,
tudo bem. Mas,
se fizer questão de envolver
as dores dos tempos idos
em poemas que são simples
relatos de um tempo vivido
que não renasce mais,
ficarei desapontado.
Muito dessa arte fica
arrumada em minha mente
esperando o momento para se esvair
e não será necessariamente
o meu pensamento em vigor.
Acredito que meus sonhos
tampouco traduzem o que realmente desejo,
já que são inconoscíveis pensamentos
do descanso de um surrealismo
travado nos longínquos patamares do sub-ego.
Se as pessoas levam ao pé da letra meus escritos,
esquecem que são poucos os textos que são específicos
para uma situação ou para uma pessoa ou para uma época.
Minha arte é escrever,
trabalhar com as palavras,
brincar com o imaginário das pessoas.
Não sou louco de jogar minha felicidade no "anônimo",
já que os relatos de minha escrita
são tão tipicamente meus
(não há como se enganar
quanto às entrelinhas
e os jogos de significado e significativo).
Eu amo muitas pessoas sim e jamais irei negar isso,
claro que cada um numa intensidade e peculiaridade única,
com redução de intensidade com a distância
e com a frieza que cada instante proporciona.
E referente a isso, jamais deixarei minha paixão se extinguir,
enquanto você me permitir.
Se isso não é nada para você,
não sei o que mais poderia ser.
Se eu escrevi lá,
ou em qualquer lugar que seja,
era porque na época em que se desenvolveu
lá ele deveria ser depositado.
E não era para ela.
Não mesmo.
Você talvez se esqueça
que muitas vezes minhas considerações são histórias,
e justamente o que tenho feito é criar histórias
com meu passado,
para compor novos enredos
e novos personagens
com novas aventuras
num mundo totalmente fictício
que é o mundo inerte das palavras escritas.