sexta-feira, dezembro 29, 2006

...Discórdia...

(...)Há tantas belezas em todas as partes em que meus olhos se firmam. São vários tipos de beleza, são várias formas, são várias descrições mentais. Nenhuma é, contudo, suficiente para me acalmar. A tranqüilidade aparente da noite estrelada me traz um sossego atento às inúmeras ondas mecânicas que fazem retumbar os tímpano já desgastados por elevadas intensidades sonoras partidas de algazarras diversas. Não que minha audição não seja boa, mas já foi melhor. Tão melhor que ouvia cada estalo ósseo quando ela se espreguiçava nua em minha cama. Aquelas cenas eram memoráveis. Talvez agora ainda o sejam, mas sem demonstrar tanta verdade de eterno acontecimento. Aliás, há certeza, mas do não acontecimento. Por que o ser humano é tão mesquinho e tão egoísta, não conseguindo ver que em cada açoite dito há um machucado enorme que dificilmente é superado? Cada meio em que se busca as verdades, não que sejam mentidas, mas que sejam bem ditas, sempre se torna uma forma de se atiçar a vontade da discórdia, ainda mais entre seres tão distintos quanto aqueles que se ousam degladiar em meio aos termos abstratos de uma conversa dissertativa. As verdades nunca são absolutas, e certamente isso não é uma verdade absoluta. Por tamanha disparidade em certezas convíctas pessoais, as chibatadas orais são desferidas como meio de se vencer à força uma idéia consolidada, embora quase em totalidade não eficazes. Eficaz é o bom argumento, é a boa volúpia da persuasão, é o encantamento através de falas não necessariamente ditas (talvez feitas, talvez olhadas, até mesmo, quem sabe, executadas), que traz a certeza do outro dispor de uma via para se chegar ao ideal que está para se compartilhar. É certo que alguns desses caminhos são sinuosos, cheio de torturante caos, mas é uma forma de se compreender imparcialmente o ponto de vista alheio ao nosso próprio meio. Talvez por isso sejam tão sinuosos, porque a resistente mente própria consolidada se reforça para não ser destruída, talvez superada, às vezes atualizada. A única certeza agora é que nós dois tínhamos razão, distintas, mas a tínhamos. (...)

terça-feira, dezembro 26, 2006

...Férias...

Que vontade de vê-la deitada...
Deitada... de ladinho... ou de bruços... lendo um livro.
De camisola, ou de pijama,
bem leve, alegre, transparente,
sem nada por baixo...
Que vontade de vê-la
nessa pintura, nesse quadro, nessa cena...
Repousando sua cabeça
sobre alguns travesseiros,
com os cabelos quase presos por uma torção.
Ali, linda, quase estática
se não fosse as páginas viradas
depois de uma leitura breve...
esperando como a qualquer momento
fechar o livro para se esgueirar entre as cortinas
para ver como o céu está azul profundo
e se espreguiçar demoradamente
até minha sorrateira chegada num abraço contente.
Como desejo me repousar sobre seu peito ofegante,
sentir seu leve frescor de um dia quente bem aproveitado
sem me preocupar com o depois...
encaminhar minhas mãos por suas pernas
e sentir seus gracejos envergonhados
por se poder saciar momentaneamente
a paixão intensamente corpórea...
Que todo essa aventura seja bem recompensada
com o benfazejar de nossa cinética sendo dissipada
em calor avermelhado de nossa tez.
Que fogo adentra meu sonho em altivez!
Que loucura disforme que retorna é essa?
Que vontade de tê-la.
Que silêncio lá fora...

sexta-feira, dezembro 01, 2006

Aumento da cinética pela energia Solar

Acabei nem falando o quanto eu gostaria de ter lavado suas costas,
de ter feito uma massagem para se sentir renovada,
de ter dado a leveza para poder tocar o céu sem sair da cama,
de tocar cada sinestesia de seu corpo
ao buscar o suspiro entorpecido do olhar sinuoso
partido dos gemidos satisfeitos...
Por que será que fico tão satisfeito
com o banho de água fria corrente
e tantas memórias me passam
daquelas tinas de água quente
escorrendo por aquelas espaldas
que tanto beijei e escorava o rosto
para suspirar os amores vívidos?
Depois de tanto tempo trabalhado,
como é que um ser humano se reporta
aos mesmo hábitos de outrora
como se fossem sagrados?
O tempo se passa ávido por novidades
e tudo o que eu ofereço são as memórias
durante um banho gelado.
A felicidade está justamente que o Sol amorna a possibilidade de hipotermia...

...momentos saudosistas

Preciso muito de você,
intensamente mais e mais,
numa súplica de um devoto fervoroso.
Desejo o seu sorriso como prêmio
e satisfação após todos carinhos
e dengos e toques e beijos
e tudo mais que se atingir
com toda a sinestesia existente
nas obras de nossos sentidos.
Sou teu.
E quero que sejamos recíprocos...
E assim atingir cada meta estabelecida
das felicidades infinitas.

quinta-feira, novembro 30, 2006

...o que amor significa?

Não se preocupe em colocar
em palavras aquilo que sente.
Eu tampouco consigo fazê-lo.
Tento mascarar em meio a hipérboles,
metonímias e metáforas e hipérbatos
todo o que se passa por meus sentimentos,
sempre tentando não ser repetitivo
nas letras que pronuncio,
já que o que sinto
sempre está em transformação,
crescendo sem imensidão
certa para se limitar.
E, quanto ao seu jeito de
indicar, mostrar, demonstrar, benfazejar
seus dotes de carinho,
tudo será muito bem deixado às claras,
já que nosso momento se aproxima.
Não se preocupe,
sei que o que será explicitado
a mim é verdadeiro, sincero,
porque já pude presenciar muito
ao estar com você,
seja pelos olhares,
seja pelos toques,
seja pelos sonhos.
Recíproco sempre será,
isso tenho certeza.
Não tenho preocupações referente a isso.
O nosso envolvimento é fruto de nossa vontade,
tanto em fazer-nos um pelo outro queridos
quanto em expor toda a segurança
de nossa sólida crença do que sentimos,
de tal modo a nos fazer aptos
a estarmos imersos nessa fantástica
sensação de bem estar que o amor proporciona.
Assim sendo, não existe o longe,
difícil, nem o momento adverso
que possa nos seduzir
em menorizar a nossa relação.
Conseqüentemente,
tão longe e tão perto
assim estou no momento,
mas tão perto ficarei que o tempo
não será o suficiente para dar fim
à intensidade do período
em que estaremos juntos,
o que realmente fará com que aquelas pessoas
realmente sejam tão perto e tão longe,
pois elas não sentirão a imensidão do amor que nos aproxima.
Amar é pouco por você!

sexta-feira, novembro 17, 2006

As flores estão aí...

Dentro de cada receptáculo floral,
existem as inúmeras cores...
inúmeros pistilos, ovários, anteras.
E, em cada galho,
vários cálices se agitam
ao andar aéreo de Bóreas
brincando com Zéfiro.
A tarde se aproxima
do resplendor altivo
cultivado pela primavera reluzente.
Ser deste momento refém
é um ato de respeito
à natureza e uma ação de sábio.
Sentia a perfumada relva debaixo
daquele pano extendido
aos amores que se entorpeciam
da serotonina aplicada
por insubstituíveis demonstrações de carinho.
A felicidade atingida
não é maior em locais amenos,
talvez um pouco mais memoráveis,
já que a conturbada vida cotidiana
traz imensas correrias
até mesmo aos controle desritmado
dos companheiros que calorasamente se consomem.
Lembro-me bem de tantas vezes,
de tantos momentos não amenos,
que foram consumidos pela pressa
de se ser repetidor mecânico dos movimentos
[matinais aos motrizes noturnos nada coreografados.
Seja como for,
como é bom viver da constante mudança colorida adaptável da natureza...

sexta-feira, novembro 10, 2006

Desabafo de um esquecido poema

Desculpe-me
por qualquer atitude
desmedidamente
proporcional à minha imaturidade.
Estou muito so,
muito sem as perspectivas fracionadas
de um pseudo cubismo
ao qual fui inserido
no concretismo
da vida
paulistana trabalhadora.
Ao menos,
sei que você me traz alívio
para meu choro silenciado
pela maturidade de amor não vivido.
Desculpe-me se a constrangi.
Perdoe-me por ser um enamorado
que a muito custo
tentar chamar virtuosa companhia
de seus lábios aos meus.
Sou senão aquele
que se esconde
através de mensagens
que não consigo ser
além de mensagens subliminares
não reciprocamente amadas.
Afinal, onde estou?
Onde estou no mundo?
Mundo, mundo, mundo...

segunda-feira, outubro 30, 2006

Céu infinito

Minhas vistas já não distinguem
exatamente onde há bilhões de pontos
ou tão somente milhares de estrelas pulsantes,
no meio do vago escuro longínquo.
Neste vácuo cheio de ondas eletromagnéticas,
estão meus pensamentos, meu corpo, minha alma,
voando em busca de outros mundos
e sentir saudades do que habito.
Tento acompanhar as infindáveis estrelas cortantes,
decadentes ou não, passantes
sem realmente deixar rastros visíveis
de sua breve permanência
em minhas íris castanho apagado
pelo mar gigante que se estende
por cima de minha cabeça.
Lembro-me bem de quantas estrelas
peguei bem de ligeiro, salpicando meus bastonetes
com sua intensa luz efêmera.
Aliás, lá se vai outra que recuso a fazer um pedido.
Tantos fiz e tantos realizei,
e muitos outros já me esqueci.
Sei que agora estou aqui, no nada,
com meu breve companheiro
de muitos latidos e lambuzadas lambidas.
Ouço esporaticamente seu ganido
ao bocejar pacificamente a gratificação
de não ter memórias tão vivas
quanto ao meu passado já
enterrado, apagado, superado...
ou não.
Pois é, não fiz o pedido.
Talvez tivera de ter feito.
Talvez somente desejado,
mas deixado o ensejo se desesperançar
e ficar ainda deitado confortavelmente
em minha cadeira que pouco a pouco
cede aos anos de tão boa serventia.
Só penso em qualquer pedido
que poderia ter feito,
sem ao menos notar
que realmente não tenho nada a pedir...