segunda-feira, outubro 30, 2006

Céu infinito

Minhas vistas já não distinguem
exatamente onde há bilhões de pontos
ou tão somente milhares de estrelas pulsantes,
no meio do vago escuro longínquo.
Neste vácuo cheio de ondas eletromagnéticas,
estão meus pensamentos, meu corpo, minha alma,
voando em busca de outros mundos
e sentir saudades do que habito.
Tento acompanhar as infindáveis estrelas cortantes,
decadentes ou não, passantes
sem realmente deixar rastros visíveis
de sua breve permanência
em minhas íris castanho apagado
pelo mar gigante que se estende
por cima de minha cabeça.
Lembro-me bem de quantas estrelas
peguei bem de ligeiro, salpicando meus bastonetes
com sua intensa luz efêmera.
Aliás, lá se vai outra que recuso a fazer um pedido.
Tantos fiz e tantos realizei,
e muitos outros já me esqueci.
Sei que agora estou aqui, no nada,
com meu breve companheiro
de muitos latidos e lambuzadas lambidas.
Ouço esporaticamente seu ganido
ao bocejar pacificamente a gratificação
de não ter memórias tão vivas
quanto ao meu passado já
enterrado, apagado, superado...
ou não.
Pois é, não fiz o pedido.
Talvez tivera de ter feito.
Talvez somente desejado,
mas deixado o ensejo se desesperançar
e ficar ainda deitado confortavelmente
em minha cadeira que pouco a pouco
cede aos anos de tão boa serventia.
Só penso em qualquer pedido
que poderia ter feito,
sem ao menos notar
que realmente não tenho nada a pedir...

segunda-feira, outubro 16, 2006

Confortável frio cortante

Carrego estes feixes
não só para me exercitar os braços
que já estão dormentes
pela fraqueza constirpadora
incólume da semiibernação
a qual estou inercialmente inserido
(culpa de dias com céu tão azul profundo
e tão poucas aventuras).
Carrego-os para que meus passos
se sintam como nos dias de sutis temperaturas,
cheios de olhares e gracejos,
complementados de faces umedecidas
de longos e profundos momentos
de contemplação da máquina humana.
Carrego-os também para que meu corpo
se esquente agora, nesta caminhada,
trazendo o vigor de minha juventude
que jamais partira, mas que certamente
me deixou solitariamente mais experiente.
Sei que meus passos são mais rápidos
do que aqueles que eram repetidos diariamente,
já que não tenho o mesmo sabor
em presenciar o verdejante
campo que cega os aversos
a tal tipo de freqüência eletromagnética.
São mais rápidos do que os acompanhados,
que faziam comentários
sobre cada esticada por cima
do filete raso de água que ainda
não se petrificou.
O Sol está lá, me acompanhando.
Talvez não. Só que ele não me esquenta
mais como será a ferocidade consumista
das brasas trepidantes
destes feixes.